. insanidade: passe adiante!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

vou comer agora


noites regadas a pão com maionese e eu cismo é com as outras pessoas. sensação engraçada a do vapor dilatando os vasos sangüíneos ao redor dos olhos... todas as manhãs que já são tarde. cócegas nas córneas.

ralo de pia sujo

usando o corpo para matar a fome: três ovos fritos no óleo (sem passar depois pelo papel toalha), queijo e orégano por cima, brilhando gordura. ah sim, endorfina salgada adentrando as artérias.




coronárias.

usando a fome para matar o corpo: molho verde tornando mais àcida saliva, pitada de sal por cima dos olhos.



coordenadas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Homem de Bem


essa minha mania de dizer não querendo dizer sim... sempre algo errado: se não é a tonalidade da pele, são as olheiras, as roupas, a poeira na varanda, o fato de eu comer praticamente só pão, os baseados.

o quarto, os amores platônicos, as garrafas de bebida: não! mas penso em dizer, por um momento apenas... outra coisa qualquer.

logo eu pisco. retorno à normalidade da vida: meus filhos, o cachorro, a prestação da casa, as dívidas do mercado e da farmácia, a jornada de oito horas, as manhãs insossas de domingo, a distância plástica e robótica de minha companheira, as falas sem sentido do telejornal e da novela das oito.

se eu morasse nos eua, teria direito legal a uma arma. preciso da lei pra me sentir tranqüilo. sensação de que faço a coisa certa, por mais que...

é o que me faz merecedor do meu salário e da folga de natal. que me mantém longe dos amigos solteiros (gosto deles, mas... não posso), que bebem e fumam demais. dos becos escuros que vejo ao voltar de mais um dia cansativo, da seringa escondida no fundo falso da gaveta de cuecas...



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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

lhufas


noite de cat power, ser ignorada e mal interpretada. noite ser sub-estimada e deixada de lado. noite macambúzia e minhocas na cabeça. noite passos vagarosos até a gaveta de remédios... noite caneta no papel e tinta na cara. noite cada dia mais longa. eu apontei o dedo. para amanhã. é pouco? não acho, me perdi em fim.





é. isso.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

estou, mas não sou


certo, certeiro, indiscutível. eu estou ficando burra. estou ficando lerda. estou ficando velha. estou ficando para trás. estou ficando gorda e enrugada. estou com a pele das mãos começando a colar nos ossos dos dedos. estou com o álcool dos anos a inchar meu fígado. estou com o útero cansado a desejar um filho. i'm gonna be mad. estou ficando rouca e estou ficando surda. estou me cansando e minha roda não muda. estou possessa com a idéia. estou omissa nas palavras. estou ficando velha, já disse isso enquanto me lembrava: a barriga protuberante e as panturrilhas rebentando em varizes, os olhos lacrimejando e orelhas e narizes aumentando. estou com os cabelos brancos, estou osteoporose frágil. estou pulmões e rins dopados. estou. estou. estou. mas não sou. não sou de me gabar por isso.